quarta-feira, 11 de março de 2009

Rara aparição...

Dia daqueles engraçados hoje. Acordei assim assim. Não queria sair de casa de jeito nenhum, desliguei o telefone mas tinha que tomar uma atitude. Enfim, tomei banho bem mal humorada para ver se animava a ir ao menos na rua comprar alguma coisa pois não havia nada para o café da manhã aqui. Me vesti e quando abri a porta da rua, havia uma cestinha de purim, com celofane, laços de fita, doces e bolinhos e um lindo cartão praticamente anônimo pois não conheço quem assina. Milagre de Purim, pensei. Não sem antes sorrir e voltar para dentro de casa e tomar o café da manhã que estava na minha porta. Coisas que só acontecem em Jerusalém, claro. Provavelmente quem deixou a cestinha aqui foi algum morador generoso do prédio. Ou não. Talvez seja milagre mesmo: porta errada. Mas não havia nomes no cartão. Nem o meu. Enfim, nada como começar um dia em que você acorda péssima com uma cesta de café da manhã na sua porta.  Fui para a rua fotografar. O resultado está lá no meu outro blog (www.photojerusalem.blogspot.com)  Outro milagre: me fotografaram com as meninas do exército de Israel quando estava na rua Ben Yehudá registrando o Purim. Estavamos todas felizes e em paz:

terça-feira, 10 de março de 2009

Futilidade Pública

Adorei. 
A Rosana Hermamm postou hoje no seu Blog um site onde você descobre a música que mais tocava no rádio na data do seu aniversário.
No meu caso - de utilidade particular já que escrevo a primeira parte do meu memorial sobre a influência da  música na minha formação- foi bingo puro.
No dia em que nasci a música que mais tocava era "Monday, Monday" do The Mamas and Papas.
Não é à toa, então, que o conjunto está elencado na minha afetividade auditiva da primeira infância.
Vai lá também:

Um pouco de amor numa cadência

Hoje fiz a minha adiada visita ao sr. Lev Strinkovsky, fazedor de violinos. Saí de lá caminhando até em casa com violão novo na mão. E é óbvio que não fiz mais nada o dia todo. Aconteceu que o ipod itouch também novo, zanzando todo João Glberto do mundo junto comigo pelas ruas de Jerusalém, tornou inadiável minha visita ao lutier.
Perdi todos os calos nesses seis meses sem violão e só me dei conta disso conforme a carne viva foi surgindo na ponta dos dedos; em compensação minha mão esquerda saiu pedalando polegar indicador médio anular; indicador médio anular; polegar; indicador médio anular; sem rodinhas. E foi surgindo o Samba da Benção numa forma de oração: meio bossa nova rock'n roll
Faz parte do meu show.




segunda-feira, 9 de março de 2009

Purim

Festa nas ruas de Jerusalém. Como eu nunca pude ver em São Paulo. As pessoas se fantasiam como se fosse a coisa mais comum do mundo e a alegria está no ar, em todas as ruas, as lojas lotadas de coloridos e dourados. O tom da paisagem humana está mudada e o layout preto-e-branco-com- cachinhos dos ortodoxos saiu da cena urbana para dar lugar à pedritas sem meias, perucas loiras, adolescentes vestidas de noivas e diabinhas com chifre e tridente vermelhos de espuma, garotos com perucas azuis. Adar é o mês da alegria.
Falta, claro, uma boa música de rua. Mas o israelense não possui esse referêncial. Mas eu conheço o carnaval do Pelô e a música brasileira; estou de ipod itouch. Novinho em folha. Então, tudo é mesclado pela intensa e boa música que caminha comigo.São Paulo, São Paulo:Vinicius acertou sobre o túmulo do samba. Uma pena que nem no carnaval as pessoas dos bons bairros de São Paulo possam ser alegres, descontraídas e fantasiadas como o jerusalomita.

quinta-feira, 5 de março de 2009

E eu nem fumei

A narguila gigante do Raphael veio parar aqui em casa.

O Rapha deixou-a com o H. que por sua vez largou com o Y.

Na mudança do Y, essa semana, ela chegou aqui de taxi. 

Está encostada no branco da parede num ângulo tal que mais parece um braço de violão.

E eu tô quase tocando narguila. Na esquina de baixo tem um lutier que parece o Gepetto.

Evito  entrar lá mas acho que aquele sonho com o Nando Reis já era o desejo saindo da sonolência. 

Num tô guentando mais ficar sem  violão, tudo indica.





Verdade Tropical

Faz dois dias que terminei a leitura do Verdade Tropical do Caetano.

Como disse anteriormente aqui: "Estou encantada com a maneira fluída, honesta e modesta com que o Caetano discorre. Pra minha surpresa a escritura passa ao largo de uma grandiloquência que eu, sinceramente, esperava e estava  preparada para encarar."

Eu reli várias vezes o  índice onomástico nas páginas finais. E só tendo uma noção espinhal da quantidade de pessoas citadas, renomadas ou não, descobri que naquela medula está o meu argumento de um narrador que se dissolve amorável.

Na noite que findei a leitura sonhei que narciso olhava sua imagem e se apaixonava por ela porque estava só, porque não havia ninguém com ele. Tudo seria diferente se houvesse uma companhia para Narciso.

Creio que a inclinação de Narciso para se apaixonar pelo que viu, elezinho,  poderia ser por uma flor,  um bicho, uma nuvem ou um outro ser humano se isso também se refletisse na sua cena primordial. Haveria, ao menos, oportunidade de escolha. E, se então, optasse por sua própria imagem aí sim eu teria a certeza de que Narciso é narcisista.  Para mim a maior característica de Narciso é a sua capacidade para ver e amar o visto.
 
Acordei achando graça do meu sonho. Caetano nunca esteve só, pensei. E  chamei de bom gosto o que li; de bom gosto, bom gosto.





segunda-feira, 2 de março de 2009

Para Todos

A Foto da Capa

O retrato do artista quando moço
Não é promissora, cândida pintura
É a figura do larápio rastaqüera
Numa foto que não era para capa
Uma pose para câmera tão dura
Cujo foco toda lírica solapa

Era rala a luz naquele calabouço
Do talento a clarabóia se tampara
E o poeta que ele sempre se soubera
Claramente não mirava algum futuro
Via o tira da sinistra que rosnara
E o fotógrafo frontal batendo a chapa

É uma foto que não era para capa
Era a mera contracara, a face obscura
O retrato da paúra quando o cara
Se prepara para dar a cara a tapa


(Chico Buarque in Paratodos)

Dando um jeitinho...

Hoje, como medida de prevenção, retraduzimos -eu e  Loki- um antigo canto de  liberdade para a língua hebraica:

Fica assim:

"Zeh assur laassor!"

"É proibido Proibir"

Comemoração de  1 mês em cartaz do  Acústico Jerusalém.

Eu mesmo mentindo devo argumentar


Se você insiste em classificar meu comportamento de anti-musical

(minha homenagem aos hífens que permaneceram)

Para não dizer que não falei das Flores

Vira e mexe o Samir me liga da fronteira dizendo que " o soldado não quis" .

Então, eu guardo a comida na geladeira, coloco meu abrigo, deito na cama e continuo a ler.

Ontem li 200 páginas do "Verdade Tropical" do Caetano, assim, num folêgo só, não conseguia parar.

Estou encantada com a maneira fluída, honesta e modesta com que o Caetano discorre.

Pra minha surpresa a escritura passa ao largo de uma grandiloquência que eu, sinceramente, esperava e estava  preparada para encarar.

Parece mesmo que o Caetano tá aqui comigo, conversando, me contando a versão dele de um monte de coisas que eu já sabia mas não assim, tão pertinho.

Caetano- livro está sendo uma excelênte companhia enquanto eu conto com a boa vontade e o bom humor de um soldado para o Samir voltar  para Jerusalém, para casa, para mim.