sexta-feira, 10 de julho de 2009

Tudo de Bom

para os que estao chegando ao Brasil, para os que foram para Paris e Berlim, para os que continuam aqui em jerusalem; tudo de bom para quem estah comecando namoro, para quem ta terminando, para quem continua namorando.
De saida para nosso tradicional jantar : eu, Y., H. e agregados. Shabat Shalom!



quarta-feira, 8 de julho de 2009

Refua Shlema e Parasha Pinchas


Antes de ontem recebi uma visita muito, muito ilustre, que se estendeu pela tarde numa agradavel conversa, que saltava de assunto em assunto, talvez para que pudessemos focalizar, localizar e centralizar, sem sucesso, e muito felizes, o infinito.
Por vezes me pareceu que estavamos em pleno Shabat. Era essa uma sensacao, algumas vezes, durante a conversa com T. vamos chama-lo de T. porque eh a letra que comeca a palavra Tfelim, em homenagem as conexoes que temos, tivemos e haveremos de ter nessa nossa vida.
Mais uma pessoa que vou preservar aqui. Mais um nome que nao vou tornar publico. Eh minha maneira de cuidar de pessoas caras para mim. Como se eu quisesse preserva-las para toda minha vida e sei que estamos todos expostos aos olhares e julgares de outrem.
Sinto isso por T. que eh uma pessoa exposta ao publico. E quero fazer parte do manancial dos poucos amigos, aqueles que podemos rir, relaxar, expor nossos pensamentos. Uma fonte de agua para T.
Sempre encontrei T. nos momentos importantes da minha vida e da vida dele. Coincidencia. Temos amigos em comum tambem o que conta muito, e, talvez, nao sei se isso conta tambem, inimigos incomuns, assim, gente que ja tentou prejudicar, e muito, eu e T.
Na tarde que recebi a visita de T, ele nao sabia, mas era quase uma visita de Refua. Uma visita de refua providencial. No dia seguinte eu iria passar por um pequeno procedimento cirurgico para desobstruir minhas trompas e estava muito tensa. Mas a presenca de T. me ajudou muito, era uma visita ilustre, espontanea, feliz, inteligente e muito, muito ligada ao judaismo e ao judaismo onde nasci. Entao era como uma visita que me trazia de volta ao utero judaico de onde vim. Algo ou alguem me disse, atraves da linda tarde com T., que eu nao estava sozinha.
E eu nao estava mesmo. No dia seguinte a Ima (mae) e o Aba (pai) de Y. me acompanharam ao Hadassa. Eles estao aqui em Israel fazendo uma visita significativa ao filho e com uma bondade enorme me acompanharam ao hospital. E foi necessario.
O procedimento foi um sucesso. -Por que eh tao dolorido o caminho para o sucesso?- soh que depois eu passei muito mal e tive que ficar um pouco no ambulatorio do hospital Hadassa. Apos ver tudo preto, acordei com duas enfermeiras e os dois medicos do "procedimento" a minha volta. Eu, com soro de um lado, medidor de pressao de um outro, estava entregue a uma equipe medica do primeiro mundo. Para minha surpresa ( por que ainda me surpeendo com essas coisas aqui? Sintomas do perrengue- Brasil, claro) havia um medico que falava portugues que foi chamado para conversar comigo alem da enfermeira espanhola, Patricia, que me acompanhou o tempo inteiro e para me distrair, alem da mao estendida, conversou comigo sobre tudo o que eu era, ou seja, professora de literatura. Como voce sabe, perguntei? Li no computador, ela me disse; conversamos ainda sobre Almodovar, que ela tambem adora, e, depois nao vi mais nada.
Como acontece toda vez que voce faz uma Histerosalpingografia e tudo sai tranquilo, as pessoas que estavam com voce desejam boa sorte com um sorriso enorme no rosto. Apesar da dor, esse exame, limpa completamente as trompas de falopio, garantindo um encontro entre ovulos e espermas. No meu caso, limpou tudo, a minha alma tambem. Hoje, dia seguinte, ateh minha pele estava diferente. Mas nao foi soh a equipe de primeira do Hospital Hadassa: foi tambem a visita providencial de T., o cuidado da familia de Y., a vinda de H. que veio correndo para cah com uma coca cola light para ficar comigo, e, claro, o Samir, que nao podia faltar mesmo nao tendo como entrar em Israel mas ficou o tempo inteiro no telefone, monitorando meu chororo e o seu futuro quinto filho. E minha mae que o tempo todo ficou conectada la em Sao Paulo perguntando como eu estava. E eu havia tomado o cuidado de levar meu livrinho da Parasha Pinchas dentro da bolsa.
Uma boa discussao para se comecar: Refua Shlema na semana da Parasha Pinchas.




sábado, 4 de julho de 2009

Sobre Twiter e Facebook.


Entrei no facebook essa semana e soh fiquei porque tem link direto para as minhas fotos na Reuters. Durante toda semana constatei algo que me estristece muito mas faz parte do nosso mundo: o numero de mensagens que distribuem noticias que qualquer pessoa pode ler em qualquer jornal. Eu jah havia passado por isso com o Twiter e se voce entrar la eu sigo cada vez menos pessoas apenas pelo fato de estarmos numa democracia virtual e tambem conta o 'nao querer' sem grandes delongas. Eu nao posso seguir ninguem que me conta o obvio: aviao que cai, chuva que chove, e qualquer coisa que seja pleonastica para o que entra pelos meus olhos, ou seja, quase tudo que se refere ao mundo.
O pior eh que entendo perfeitamente que existem seres que leem as mensagens do twiter ou o facebook e nao vao direto as fontes. Acho que eh esse o principio da midia mesmo. Nada contra. Mas esse nao eh o meu mundo. Eu vivo em outro mundinho. Um mundinho que os midiaticos odeiam porque nao sabem usa-lo. Eu sou uma pesquisadora. Uma pessoa que so colhe fontes diretas e nao ganharia a vida por fontes indiretas.
Por conta disso sou como qualquer cobrinha do butanta, da Usp ou da Unicamp, que nao abre o coracao das fontes. Soh na Bibliografia e depois de chancelado.
A fotografia me revela a mesma postura. Eh preciso ir em busca das fontes o tempo inteiro. Andar, andar e se deslocar por horas. Os bons jornalistas tambem sao assim. Ir as fontes, acha-las, procura-las eh um exercicio intelectual obrigatorio. Da onde vem a etica das citacoes e dos agradecimentos.
Mas por que estou falando disso?
ah, porque gostaria de ver um mundo com informacoes no twiter e no facebook mais opinativos e menos repetitivos. Minha inteligencia fica cansada. E quero ver o povo correndo atras tambem das suas proprias fontes: noticias, pessoas, lugares. Soh assim me sinto num mundo que estah em construcao. Nao se repita. Nao mame na teta dos outros. Va atras das fontes diretas. Das aguas que brotam da sua labuta. Fora desse contexto qualquer cerebro se torna um deserto infertil. E necessito construir um mundo melhor para o mundo em que vivo. Que se repete menos e se inventa mais.




terça-feira, 30 de junho de 2009

Ainda sobre o Rei do Pop,


Michel jackson. de quem sou fa, incondicional.
Porque nao posso viver sem o banal e sem banalizar. Essa gente que nao consegue se conter e canta e danca e vai pra rua e celebra a vida, essa coisa erudita. Adoro o populacho, o escrachado feliz dos coloridos que nao combinam mas compoe a alegria. Venus vaga sem freios. (sim, estou citando Durao, 1781) .
Marca registrada das minhas fotos. Mas isso eh so para quem conhece Pop Art, claro.
Por falar nisso: pedi para o Amilcar, o Torrao, escrever um introito para as minhas fotos. Mas ele tah muito ocupado arrumando a mala para Barcelona e depois, Berlim. :)

segunda-feira, 29 de junho de 2009

A Flor do meu Segredo


se chama Samir. Por quem me descabelo e me descabela. (sim, estou citando Ovidio). Porque qualquer coisa ou pessoa que seja previsivel, que busque o basico e nao caia na folia, me cansa. Entao, nao disfarco. Aprendi com o velho e bom Mauricio Loureiro Gama aquela questao, aplausos, coisa de gente comum. Meu avo me explicava que em cena soh distinguimos as luzes. As pessoas acabam pagando um preco para fazer parte da plateia.
mas porra louquice eh fundamental. E nao sou professora disso.
Em tempo: mulheres para elogio: Caroline Vanconcelos, Anna Vilanueva, Vanessa Gai e Flavia Oller. O resto penteia o cabelo.



"Gonna dance on the floor in the round..."

sábado, 27 de junho de 2009

Judaicas


Passei o cabalat shabat com uma familia religiosa, os Menachem. Linda familia, lindo apartamento, comida e rezas fartas, me refastelei. Eles ficaram muito felizes. Parece que adivinharam que meu microondas explodiu na hora exata em que tambem tenho pouco dinheiro para comprar comida, devido ao fato, claro, que o dinheiro da comida tem que ir todo para as outras coisas mais importantes da vida: livros, traducoes juramentadas, perifericos que quebram no computador. Voltei da casa dos Menachem com a exata sensacao de que eles tinham cumprido uma mitzva, que estou lotada de bencaos, e que, realmente, eh uma delicia providencial receber ajuda de desconhecidos. Kaballah.
Obrigada aos Menachem que compartilharam sua mesa comigo e nada sabem do que estah acontecendo, ie, gastos doutorais.
Ja a boia da Havdala vai ser filada na casa do Yehuda. Seus pais chegaram do Brasil e irao conhecer hoje os amigos israelenses do rebento inteligente que colocaram no mundo. ;)




sexta-feira, 26 de junho de 2009

Volver

Seu nome eh Clarita. Tem 90 anos. Possui duas filhas, Estela e Lila que me contrataram para "mima-la". Devo passar todos os domingos, por dez horas, fazendo companhia para a Sra. Clarita: ouvir suas historias e conversar sobre politica e literatura. As filhas me explicam: la madre eh mui culta e tudo indica que eu sou a pessoa ideal. E tambem muito carinhosa.

Vou conhecer Sra. Clarita. Levo um pequeno susto: estava me esperando com um doce sorriso no rosto. Me estendeu as maos, um agrado. Pareceu-me que ela eh que vai fazer companhia para mim, claro. Conversamos sobre El Cid e Don Quixote De la Mancha.

As filhas, muito risonhas, assim como a propria mae, que nao para de dar risadas, fizeram-me rir tambem. Sao agudas. fazem observacoes inteligentes e nao aguentei, gargalhei. Sra. Clarita aprovou. Assim fui contratada.

A gargalhada. Lila e Estela, as filhas, me explicaram, criticando a mae, claro, que havia mil canais na televisao mas que a Sra. Clarita nao assistia a nenhum, nem ligava a televisao.

Sra Clarita, retrucou, explicando-me:

"Los conflitos familiares sao mais interessantes. Io prefiro"