sábado, 15 de agosto de 2009

Nem luxo, nem Lixo



Sim, o assunto é lixo, coisa que me encanta desde que cheguei aqui em Jerusalém. Fiz algumas fotos do Jardim comunitário atrás da minha casa ( video acima), encantada que estava, e, ainda estou: sou frequentadora assidua da pracinha e as lavandas de um azul lilás cheiroso que enfeitaram as janelinhas da minha casa durante todo esse verão foram colhidas nela.
Além das caixas de lixos colocados em cada esquina há os murinhos dos prédios. Difícil é caminhar e não encontrar um murinho de pedra onde não haja algo que alguém deixou ali para quem queira. Sim, algo como "eu não quero mais mas pode ser que você queira", é a lógica. Foi assim que adquiri os vinte vazinhos que decoram minhas janelas, meu ferro para passsar roupas, meu criado mudo azul turquesa, as almofadas para encosto que compuseram meu sofá, a cestinha de palha onde coloco bujigangas, e, meu rádio-Cd que na semana seguinte da aquisição no murinho ao lado do lixo vi exposto igual em vitrine de loja. Sim, é tudo novinho, tudo em funcionamento perfeito. É feio deixar no murinho coisas impossiveis de uso, não faz parte da civilidade, ela existe por aqui.
Minha amiga sobre conversas de murinhos em Israel é a Ilana Bekin afeita à reciclagens de lixos que ela transforma em luminárias. Se tem algo que me encanta aqui são os livros deixados . Os ex proprietários espalham carinhosamente nos murinhos para que os títulos sejam mais visiveis: você quer, você pega, é seu.
Outro dia, numa caminhada, encontrei um murinho onde carinhosamente se organizavam chapéus-todas as cores- e lencinhos de seda generosamente dobrados. Também o vasculhei, como todas as mulheres que passavam por ali, e deixei como encontrei: todo arrumadinho como se fosse uma gaveta aberta para a rua, para o céu, para o outro.
Ontem, na volta do nosso tradicional jantar de Shabat na casa do Yehudá, deparei com uma kum-kum, a palavra hebraica que designa a garrafa elétrica para ferver a água do café, do chá, toda pia possui uma, é costume aqui. Hoje, não saberia mais viver sem uma kum-kum, ela facilita a vida e não entendo como até chegar em Israel pude sobreviver sem esse utensilio fundamental que faz café sempre na hora. Garrafa térmica é coisa do passado. Mas eu deixei a Kum-kum que encontrei ontem onde estava. Tenho a minha. Não preciso.
Ninguém aqui tem vergonha nem de deixar nem de pegar as coisas. Simples assim: civilidades. Quero saúde para gozar no final.






Um comentário:

Djabal disse...

Um indiano deixou cair um pé da sua sandália para fora do trem. Imediatamente jogou o outro pé pela janela.Explicou ao atônito vizinho: Quando alguém achar um, logo encontrará o outro. Para mim, o pé que restou não serviria de nada mesmo.