segunda-feira, 15 de junho de 2009

Como se Faz Hospitalidade


Portrait Eduardo Weisz at Hebrew University



Às oito da manhã em ponto, na praça Edmond J. Safra no campus de Givat Ram da Universidade Hebraica de Jerusalém, em frente a larga fonte despejando fios de água, Eduardo Weisz me esperava de sandálias croc marrom, calças pretas, mãos no bolso, camisa branca, e, solidéu colorido na cabeça. Era o começo de uma manhã cuidadosa em não colocar nuvens brancas no azul. Durante cinco horas Eduardo, o Weisz, fez tudo o que eu deveria fazer: fotocopiou meus diplomas, imprimiu e encadernou minha tese de mestrado, pagou uma fortuna por tudo isso - observando que era um presente- andou de lá para cá, perguntou aqui e acolá, conversou, questionou e agradeceu secretárias, sentou-me para o café das dez, repartiu o hummus com pita e brachá do almoço das doze, explicou-me todas as bolsas de estudo, um pouco de Kierkegaard, o caminho da minha próxima casa e me despediu, quando tudo pronto, com o empréstimo de livros que eu deveria ler, a única exigência que fez nessa manhã talmúdica, finda nos dois livros que carreguei nos braços como se o universo fosse, definitivamente, manso, redondo, confortável.
Eu nada fiz por mim. Nem um sopro de vento nessa manhã macia em que começou o meu processo de doutorado na Universidade Hebraica de Jerusalém, locus amoenus.

Um comentário:

Djabal disse...

Um sentimento confortável me invadiu, um lugar que não conheço se tornou familiar, abri um livro, a Antologia Efémera de E.M.de Melo e Castro e li:
"iniciado o movimento rotativo
é difícil para no descrever de uma só revolução

...

nunca uma revolução é só uma"

Beijo.