quinta-feira, 14 de maio de 2009

Sobre Fotografia

 

Eu nao gosto de misturar os meus blogs. Mas dessa vez me parece inevitavel. Fiz uma sessao de fotos de quase 4 horas com Ibrahim Abussinim, arabe cristao, morador da Cidade Velha. Outras fotos dele estao no Photo Jerusalem ( www.photojerusalem.blogspot.com) mas ja sao da Agencia Reuters que rapidamente ficou com elas. O que ocorreu eh que foram momentos intensos, pela Cidade Velha, em jerusalem, fotografando Ibrahim que numa disponibilidade amoravel, deixou-se e deixou-me completamente envolvida pela sua beleza. Basicamente, nao tem como nao flertar quando a vida se abre para o dispositivo fotografico. Nao ha como nao sentir amor. Nesses momentos, quando uma pessoa estah a sua disposicao, nessa entrega completa, nao tenho como nao pensar em Susan Sontag asseverando que igual a Brassai, Arbus queria  que seus modelos
estivessem  plenamente alertas, conscientes da acao que participavam, sendo que para persuadir as pessoas, a  fotógrafa Arbus, teve que ganhar a sua confianca, teve que travar amizade com elas.
Eh um fato que, para tanto, voce deve possuir uma inclinacao enorme para o outro alem de gostar de se aproximar de desconhecidos, como no meu caso, que faco fotografia de rua, e deixa-los se aproximar de voce. Sem isso nao ha fotografia consciente.
Voltando a citar Sontag: Brassai denunciou os fotógrafos que procuram surpreender os modelos com a erronea crenca de que se revelará algo especial (...) Nao eh um erro, na realidade. Ha algo no rosto das pessoas quando nao sabem que  estao sendo observadas que nunca aparece no caso contrario, pois suas expressoes sao privadas e nao as que apresentariam a camera se estivessem consciente"
A fotografia em que o fotografado estah consciente dela - que eu nomeio de fotografia Joao Cabral de Melo Neto - eh muito dificil, e por isso uma das melhores fotografias para se fazer. Esse instante fotografico prediz aproximacao entre os seres sendo que a maquina se esvai entre o fotografo e o fotografado. Eh um contato entre essencias e a maquina fotografica passa a ser um mero acidente nesse encontro que, ela, justamente, proporcionou (aitia), sendo que sua causa estah intrinsica no seu fim. Teleologia e, ao mesmo tempo,  aporia.


Posted by Picasa

Um comentário:

Djabal disse...

"Não há como não flertar, não há como sentir amor.."
Foi exatamente isso que senti, que percebi, que soube, ao ver o retrato e a sequência dessas fotos.
Uma comunicação espontânea, inteira, entre as pessoas e a intermediação da máquina se tornou invisível. E o resultado: indescritível, algo que não tem outro meio de passagem. Beijo.